Conheça a inrível história da "Excursão da Morte" realizada pelo Santa Cruz em 1943
Você já ouviu falar da “Excursão da Morte” realizada pelo Santa Cruz em 1943? Essa incrível aventura da equipe Coral teve um saldo de dois jogadores mortos, dois desertores, um jogador obrigado a casar por ordem judicial, ameaça de ataque de submarinos alemães, dois descarrilamentos de trem, só pra citar os problemas mais graves. Essa inacreditável excursão durou 120 dias – 02 de janeiro à 02 de Maio – e 28 partidas realizadas. Mesmo com todos esses problemas, o Santa venceu quase todas as partidas. Lei abaixo a matéria da Revista Placar publicada no site Museu dos Esportes:
"Este é a equipe do Santa Cruz que não tem identificação. Os marcados com um X morreram durante a excursão.
Para fugir dos submarinos alemães, os navios viajavam à noite, com as luzes apagadas. Os jogadores dormiam no convés. Assim começou a incrível excursão do Santa Cruz ao Norte. Uma viagem que teve de tudo, até mortes.
No dia 2 de janeiro de 1943, a Segunda Guerra Mundial estava em seus momentos mais negros, banhando a Europa de sangue. O Brasil já havia declarado guerra contra as forças do Eixo, e os submarinos alemães circulavam pela costa brasileira. E foi nesse mês de janeiro que a delegação do Santa Cruz embarcou no vapor Pará, do Lóide Brasileiro, que saiu do porto de Recife com destino a Natal, a primeira parada de uma temporada que, mais tarde, seria chamada de “excursão da morte”.
O navio viajava em comboio e escoltado por dois navios da Marinha de Guerra. Horas depois de chegar a Natal, o Santa Cruz já estava no estádio Juvenal Lamartine para enfrentar a seleção potiguar. O Santa Cruz goleou por 6x0. Somente no dia 10 é que o clube pernambucano chegou a Belém para iniciar sua temporada. E foi logo goleando o Transviário por 7x2. Depois venceu a Tuna Lusa por 4x2, empatou com a seleção paraense em 2x2 e com o Paysandu em 4x4. Na despedida, perdeu para o Remo por 5x3.
A delegação do Santa Cruz deixou Belém e foi para Manaus. Uma viagem feita em vapor gaiola que sobe o Rio Amazonas rebocando uma alvarenga carregada de alimentos para o Acre. A dez milhas por dia, a gaiola acabou levando duas semanas para chegar em Manaus. Com uma viagem longa, cansativa e tensos com a guerra, alguns jogadores passaram mal. Na estréia, perderam para o Olímpico por 3x2. Em seguida golearam o Nacional por 6x1. Depois deste jogo uma forte disenteria atacou o chefe da delegação, Aristofánes da Trindade, e os atletas Pinhegas, França, King, Guaberinha, Edésio e Papeira. Os atletas foram medicados e liberados, mas com recomendações alimentares. Na despedida de Manaus, o Santa Cruz venceu o Rio Negro por 3x1.
Outra viagem de vapor, agora descendo o Rio Amazonas. Pelado e Omar ficaram em Manaus atraídos pela boa oferta que fizeram os clubes locais. O plano da delegação era chegar em Belém, pegar o vapor Ita e voltar para Recife. Mas, no caminho começaram as complicações. Numa madrugada, os jogadores King e Papeira tiveram uma violenta recaída da tal desinteria. O médico a bordo afirmou que os atletas estavam com febre tifo, uma terrível doença na época. Eles seriam internados no Hospital Dom Luiz I em Belém. Chegaram no dia 28 de fevereiro e foram reservadas passagens para a delegação Coral no primeiro vapor que tivesse o destino de Recife. Para azar dos pernambucanos, no dia primeiro de março, o Governo decretou a paralisação do tráfego marítimo.
Com essa decisão, o Santa Cruz foi obrigado a arranjar novos jogos para pagar as despesas com alimentação e hospital. Hospedagem não era o problema, já que a delegação estava alojada na garagem náutica do Clube do Remo. E no dia 2 de março, o Santa Cruz enfrentou o Remo. Antes do jogo, os pernambucanos receberam o chefe de polícia de Belém, que chegou para prender o jogador Pedrinho. Um telegrama dizia que o atleta tinha feito “mal” a uma menor de 17 anos, e teria que aguardar preso, a chegada de um agente do Amazonas que o levaria para Manaus afim de casar.
Aristofánes Trindade fez Pedrinho assinar uma carta para seu ex-companheiro, Pelado, que ficara em Manaus, se apresentar no cartório e casar por procuração. No jogo, o Santa Cruz venceu o Remo por 4x2. Dois dias depois, a fatídica excursão teve seu primeiro mártir: na madrugado do dia 4, a febre tifo matou o jogador King. Seu corpo ficou na sede da Federação Paraense de Desportos e foi enterrado no cemitério de Belém. Mais três dias e novo jogo foi realizado. Era um domingo de carnaval e o Santa Cruz jogou de luto. Depois do jogo, receberam outra noticia trágica: a febre tifo também matou Papeira. Todo mundo chorou.
Os componentes da delegação já estavam desesperados. Os dirigentes tentaram retornar ao Recife por via aérea, mas além das deficiências da aviação comercial, também não havia dinheiro para comprar as passagens. Quando o tráfego marítimo foi reaberto, o Santa Cruz conseguiu vaga num rebocador que os levaria a Recife. Quando todos estavam alojados, veio a ordem que eles não podiam viajar porque o navio recebeu uma carga inflamável.
O chefe da delegação, Aristofanes Trindade, já não sabia o que fazer. Finalmente, no dia 28 de março, os pernambucanos retornaram a Recife mas, com uma parada de quatro dias em São Luiz. Para juntar algum dinheiro, os jogadores trocaram as passagens de primeira por outras de terceira classe e foram obrigados a viajar na companhia de uma corja de 35 ladrões que a polícia do Pará estava exportando para o Maranhão. Por garantia, as 15 taças conquistadas ao longo da temporada, foram guardadas cuidadosamente. Medida desnecessária, pois jogadores e ladrões se tornaram amigos.
Em São Luiz, novo contratempo. O navio ficou retido e só poderia seguir em comboio. Novos jogos são acertados e a renda distribuída entre os jogadores. Num desses jogos, contra o Moto Clube, o Santa Cruz estava com King e Papeira (falecidos), Edezio e Capuco (machucados). Só tinha dez jogadores. O cozinheiro do navio entra em campo e completa o time. Antes do segundo jogo programado, todos voltaram ao navio que saiu com destino a Fortaleza. Logo depois caiu um forte temporal e se ouvia apenas os silvos dos outros navios do comboio. Como o radar acusava submarinos alemães na área, o comandante do navio revolveu voltar a São Luiz.
Diante da perspectiva de nova demora, os jogadores decidiram retornar por terra. O trem, de São Luiz a Teresina, descarrilou duas vezes. O Santa Cruz ainda teve jogos no Piauí antes da viagem de ônibus para Fortaleza onde completou o total de 28 partidas na excursão. Era quase meia noite do dia 2 de maio quando a delegação do Santa Cruz chegou a Recife. Os jogadores estavam exaustos, nervosos e abatidos. E chegou com menos dois. King e Papeira estavam mortos. Uma temporada que começou no dia 2 de janeiro e terminou no dia 2 de maio".
COM QUE ROUPA?
Em 1979, diante da perspectiva de uma excursão internacional inédita, o mês de fevereiro começou com uma movimentação intensa no Santa Cruz.
Enquanto em uma das salas do Departamento de Futebol do Mais Querido, um alfaiate tirava as medidas para a confecção das roupas da delegação que viajaria ao exterior, em outra, os jogadores e demais membros da comissão eram vacinados contra o cólera e a febre amarela.
No dia 3 de fevereiro, o clube comemoraria com discrição os seus 65 anos de fundação, contando com a presença de Luiz Gonzaga Uchoa Barbalho, único sócio fundador do clube ainda vivo.
Torneio Internacional
No dia 7, o tricolor faria contra a seleção da Checoslováquia o jogo principal de um torneio internacional que contou ainda com a presença do Clube Náutico Capibaribe e do Botafogo da Paraíba. O jogo serviu, também, para a entrega das faixas aos campeões estaduais de 1978.
Os checos vinham de uma longa excursão por todo o Brasil, alternando bons e maus resultados. Naquela noite, no Estádio do Arruda, encontraram um Santa Cruz inspiradíssimo e levaram uma goleada histórica. O placar de 4x0 mostra bem a superioridade da equipe coral.
Em que pese o domínio tricolor, o primeiro gol só foi marcado aos 40 minutos do primeiro tempo por Neinha, de cabeça, aproveitando um cruzamento de Volnei.
No segundo tempo, logo aos cinco minutos, Volnei recebeu um passe de Betinho e marcou o segundo tento. Aos nove minutos, novamente Volnei recebe de Betinho e chuta sem chances para o goleiro Cervenan. Aos 43 minutos, Neinha consolida o placar marcando o quarto tento, depois de uma jogada que contou com a participação de Volnei e Betinho, os três melhores em campo.
O Santa Cruz venceu com Joel Mendes; Carlos Alberto Barbosa (Vassil), Paranhos (Lula), Alfredo Santos e Pedrinho; Givanildo, Betinho (Zé Roberto) e Carlos Roberto; Jadir (Volnei), Neinha e Joãozinho.
A Checoslováquia formou com Cervenan; Kunzo, Vacilavithck, Macela e Pygell; Rott, Hadimeck e Berger; Lithka, Novak e Klovich.
A renda do jogo foi de Cr$ 731.865,00. Na preliminar, Botafogo/PB 2x1 Náutico.
No dia 9, a equipe coral voltaria a campo para derrotar o Botafogo/PB por 1x0 e garantir a conquista da Taça Marco Antônio Maciel, assim denominada em homenagem ao governador recém nomeado.
O gol da vitória foi marcado por Betinho, aproximadamente aos 30 minutos do primeiro tempo, ao receber um passe de Joãozinho e chutar com a perna direita, antes que a bola tocasse no chão. O Santa Cruz formou com Joel Mendes; Carlos Alberto Barbosa, Paranhos, Alfredo Santos e Pedrinho; Givanildo, Betinho e Carlos Roberto (Deinha); Volnei, Neinha (Gonçalves) e Joãozinho.
O Botafogo/PB atuou com Salvino; Mendes (Edílson), João Carlos, Deca e Marquinhos; Nelson, Zé Eduardo e Nicássio; Noé Silva, Magno e Soares (Vandinho). O jogo foi dirigido por Dirceu Arruda e a renda somou Cr$ 277.065,00. Na preliminar, Náutico 1x1 Checoslováquia.
Rumo ao Ceará
Dois dias após conquistar o torneio, no dia 11, a equipe tricolor empataria com o Ceará Sporting, em Fortaleza.
A rápida excursão se encerraria na cidade de Sobral, contra o Guarani local, com outro empate, desta feita por 2x2.
Os gols do Santa Cruz foram marcados por Givanildo e Joãozinho, enquanto Barbosa, de pênalti, e Chiquinho marcaram para o Guarani.
O Santa Cruz formou com Joel Mendes; Vassil, Paranhos (Alfredo Santos), Lula e Pedrinho; Givanildo, Volnei e Deinha (Carlos Alberto); Gonçalves, Neinha (Carlos Roberto) e Zé Roberto (Joãozinho).
O Guarani, com Dario; Barbosa, Jorge, Frota e Iran; Zé Maria, Tecoteco e Chiquinho; Zé Duarte, Zé Ivan e Pipiu (Nino).
O jogo foi dirigido por Leandro Serpa e a renda foi de Cr$ 95.430,00.
Despedida na Bahia
O Santa Cruz ainda jogaria contra o Itabuna, na Bahia, empatando de 0x0 e mantendo uma invencibilidade de vários jogos.
O clube coral partiria para a sua primeira excursão internacional em 65 anos de existência com 80% das cotas dos jogos pagas.
A inauguração oficial do Colosso do Arruda
Lance do jogo entre Santa Cruz x Flamengo
Em tempos de crise e de vacas magras, é sempre bom nos voltarmos para as fases áureas do clube, quando tudo parece promissor e estimulante.
Foi assim em 1972 quando o Estádio José do Rego Maciel, também chamado de Colosso do Arruda, foi inaugurado, no dia 4 de junho.
O Santinha, na época, era um senhor de 58 anos de idade e ostentava o título de tetra campeão pernambucano de futebol profissional, sob o comando do presidente James Thorp.
Na realidade, a festa de inauguração começou logo cedo, pela manhã, com a missa celebrada pelo cônego Antônio Alves, capelão da Polícia Militar de Pernambuco e torcedor confesso do Santa Cruz desde a infância, e pelo monsenhor João Barbalho, capelão do Exército e irmão de Luiz Gonzaga Uchoa Barbalho, um dos fundadores do clube em 1914.
A missa foi realizada no setor das cadeiras cativas do estádio, às 9 horas da manhã, com o altar instalado no local destinado à imprensa.
Ao ato religioso, assim como ao jogo contra o Flamengo do Rio de janeiro, compareceram Luís Barbalho, Augusto Dornelas e Alexandre Carvalho, os três fundadores do clube que na época ainda se encontravam vivos.
À tarde, às 15 horas, antes do início do jogo, o governador Eraldo Gueiros fez o hasteamento das bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do Santa Cruz, acompanhado do vice governador Barreto Guimarães e do prefeito Augusto Lucena e se dirigiu à tribuna de honra do estádio, onde asistiu o jogo ao lado de outras autoridades civis e militares.
O jogo em si foi bem disputado, apesar dos desfalques do time do Flamengo e da ausência de Givanildo, na equipe coral, substituído com brilhantismo por Betinho.
No segundo tempo, a chuva fez com que as equipes se retraissem mais um pouco, terminando o jogo sem nenhum gol marcado. O empate em 0x0, no entanto, não fez jus ao que os dois times apresentaram no gramado.
Segundo a imprensa da época, um dos responsáveis pelo placar em branco foi o goleiro Renato, do Flamengo, ao praticar extraordinárias defesas.
O Santa Cruz, dirigido por Evaristo Macedo, atuou com Detinho; Ferreira, Sapatão, Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano Veloso; Cuíca (Beto), Fernando Santana (Zito), Ramon e Betinho.
Como se pode observar, no time carioca além da presença na lateral esquerda do atual treinador Vanderlei Luxemburgo, a presença de jogadores tarimbados como Zanata, Zé Mário, Doval, Arilson e o foclórico Fio Maravilha, que só entrou em campo no segundo tempo do jogo.
As duas equipes aplicaram sistemas táticas idênticos, o 4-2-4, com variações para 4-3-3, como era comum naquele tempo.
O jogo foi apitado por Sebastião Rufino, auxiliado por Geraldo Alves e Armindo Tavares.
Renda de Cr$ 223.884,00 para um público pagante de 57.688 pessoas.
Com o estádio superlotado, o público total de 62.185 pessoas desmentiu os comunicados oficiais que estabeleciam em torno de 80 mil pessoas a capacidade total da praça de esportes.
O acontecimento esportivo repercutiu positivamente não só em Pernambuco como em todo o Brasil e deixou eufórica a grande família tricolor, que durante dias vestiu a cidade com as cores do seu clube de coração.
Fundado na Boa Vista, o Santa Cruz perambulou por vários bairros do Recife antes de chegar ao Arruda, o que só aconteceu em 1943.
Naquele ano, alugou o terreno onde hoje está construído o estádio, a sede e o parque aquático.
O terreno pertencia ao comendador Arthur Lundgren, rico comerciante, fundador das Casa Pernambucanas. Antes, o local era ocupado pelo Centro Esportivo Tabajaras, agremiação hoje extinta.
Naquele mesmo ano, no dia 24 de novembro, com a ajuda de um empréstimo no valor de Cr$ 38.000,00 feito à Caixa Econômica Federal, foi comprada a casa de nº 1285, na Avenida Beberibe, hoje demolida, a qual durante muitos anos serviu de sede à agremiação coral.
Em 1954, o prefeito do Recife, José do Rêgo Maciel, que hoje empresta o seu nome ao estádio, deu condições para que o clube asumisse definitivamente a posse do terreno. Consta que foi por essa época, através do esforço coletivo da torcida, que surgiu o epíteto de Repúblicas Independentes do Arruda.
Em 1965, foi lançada pelo Santa Cruz uma campanha para a venda de cadeiras cativas e de títulos de sócios patrimoniais, o que permitiu ao clube arrecadar fundos para iniciar a construção do estádio.
A grande torcida coral, mais uma vez, participou ativamente desse movimento, através de doações diversas que iam de tijolos e cimento até a colaboração através da mão de obra.
A campanha dos tijolos, aliás, foi uma grande mobilização que uniu torcedores de vários seguimentos sociais (mestres de obra, pedreiros, encanadores, engenheiros civis, arquitetos e o público em geral), que, praticamente com as próprias mãos, ajudaram a construir o que hoje é considerado um dos maiores estádios particulares do mundo.
O primeiro gol no Arruda depois da inauguração
Essa foi uma conquista emblemática, pois, até então, só tínhamos conquistado 13 títulos estaduais nos 55 anos de existência do clube.
Depois daquele grande final, ao longo dos últimos 40 anos, foram muitas outras conquistas, entre estaduais e campeonatos brasileiros, o que serviu para demonstrar que a construção do nosso estádio foi um divisor de águas na história do Mais Querido.
Assim sendo, antes do jogo do Santa Cruz contra Seleção Olímpica do Brasil, no dia 7 de junho de 1972, muitos gols foram marcados no Colosso, com o estádio ainda em construção. Nenhum, porém, teve a importância dada ao gol de Betinho naquele jogo histórico.
O gol só surgiu aos 45 minutos do segundo tempo. Logo depois o seu autor se machucaria, sofrendo uma entorse no joelho e deixaria o campo nos braços do massagista Santana. Sairia do jogo, no entanto, para entrar definitivamente na história do clube coral.
Aquele gol, no apagar das luzes, contra a Seleção Olímpica, o primeiro ali marcado após a inauguração oficial do estádio, serviria para aguçar ainda mais a auto estima do torcedor coral naquele ano onde tudo parecia nos conduzir aos píncaros da glória.
O jogo foi apitado pelo árbitro Armindo Tavares, auxiliado por Gílson Cordeiro e Clayton Beltrão.
O Santa Cruz de Evaristo Macedo, um treinador que também fez história entre nós, venceu com Detinho; Ferreira (Antonino), Sapatão, Rivaldo e Cabral; Erb (Zito) e Luciano Veloso; Cuíca (Beto), Bita, Ramon e Betinho (Botinha).
A Seleção Olímpica perdeu com Vitor; Tereso, Abel, Vagner e Bolivar; Falcão (Marquinhos) e Carlos Alberto; Pedrinho, Zé Carlos (Tuca), Manuel e Rubens (Dirceu).
No time coral, a presença de Bita, o Homem do Rifle, grande artilheiro pernambucano já em fim de carreira, além dos craques já conhecidos.
Na Seleção Olímpica, a presença de jogadores que depois marcariam época no futebol brasileiro, como o zagueiro Abel, hoje treinador com passagem pelo próprio Santa Cruz; o meio campista Falcão, hoje comentarista da Rede Globo de Televisão; de Dirceu, já falecido, e do atacante Zé Carlos, prata da casa coral e que teve atuações marcantes pela seleção.
O público nem de longe foi o da inauguração oficial do estádio, no jogo contra o Flamengo. Mesmo assim, naquela noite de quarta feira, 22.426 pessoas foram ao Arruda para assistir à peleja, propiciando uma renda Cr$ 85.176,00.
1932: O primeiro bicampeonato - Parte II
Se em 1931 a campanha do Santa Cruz foi excelente, em 1932, para conquistar o bicampeonato, ela foi simplesmente irrepreensível. Para chegar ao seu segundo título estadual, a equipe coral realizou 12 partidas, vencendo todas, além de garantir o melhor ataque e a defesa menos vazada.
Participaram da campanha os seguintes jogadores: goleiros, Diógenes e Dadá; defensores, Sherlock, Fernando, João Martins, Zé Orlando, Dóia, Julinho, Sebastião e Zezé Fernandes; atacantes, Walfrido, Estevam, Tará, Lauro, Paulo, Carlos Benning, Popó, Limoeiro, Marcionilo, Antero, Edson e Oscar.
Com vistas à conquista do bicampeonato, o Santa Cruz iniciou o ano reforçando o elenco. Além de trazer de volta Sebastião, o grande centro-médio do futebol pernambucano, também contratou Marcionilo, um dos destaques do certame da ASDT, além do goleiro Diógenes. Ironicamente, porém, a equipe coral disputou todo o 2º Turno desfalcada de quatro dos seus melhores elementos: Fernando, Zezé Fernandes, Dóia e Tará. Incorporados às forças pernambucanas, haviam seguido para o Sul em defesa do Governo Vargas contra as tropas insurretas que tentavam controlar São Paulo e Minas Gerais. Essa situação, aliás, foi vivida por vários clubes pernambucanos, inclusive pelo Íris, o outro finalista, já que uma boa parte dos nossos atletas eram ligados à Polícia Militar de Pernambuco.
Os desfalque, no entanto, não chegaram a quebrar a harmonia do grêmio tricolor que, em estado de graça, soube encontrar substitutos à altura dentro de suas próprias fileiras. Nos jogos finais da série melhor-de-três, contra o Íris, o Santa Cruz já se apresentaria completo, mostrando um alto padrão de jogo e garantindo o bicampeonato.
Entrevistado pelo Jornal Pequeno, no dia 19 de novembro, na véspera do segundo jogo final, Tará, demonstraria o nível de convicção do time e o seu espírito de luta, afirmando enfático: “Quem venceu no “front”, enfrentando “artilheiros” muito mais perigosos, não tem medo de caretas...” No dia seguinte, marcaria um belíssimo tento, colaborando com a goleada de 4x1 e consolidando a sua crescente fama de artilheiro.
À noite, após o jogo, no Restaurante Lusitano, a equipe coral ainda teve apetite suficiente para devorar o jantar oferecido pela direção do clube, em comemoração à conquista. Naquela noite, naquela casa portuguesa, houve uma festa tricolor, com certeza...
Eis os jogos realizados pelo Santa Cruz na campanha invicta do bicampeonato:
Jogo: Santa Cruz 8x0 Israelita. Data: 10/4/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Paulo (3), Carlos Benning (2), Walfrido (2) e Limoeiro. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e João Martins, Zé Orlando, Julinho e Zezé Fernandes, Walfrido, Limoeiro, Paulo, Lauro e Carlos Benning. ISR - não informado.
Jogo: Santa Cruz 5x1 Great Western. Data: 08/5/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: não informado. Equipes: não informado
Jogo: Santa Cruz 2x1 Flamengo. Data: 29/5/32 (domingo). Local: Av. Malaquias. Gols: Lauro e Carlos Benning, para o SC, e, Fébidas, para o FLA. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e Fernando, Dóia, Sebastião e Zezé Fernandes, Walfrido, Marcionilo, Tará, Lauro e Carlos Benning. FLA - Alberto, Joãozinho e Chico Altino, Everaldo, Hermes e Roberto, Alonso, Memeu, Fébidas, Bernardo e Pega-Pinto. Expulsões: Joãozinho e Tará, por trocarem tapas.
Jogo: Santa Cruz 4x1 América. Data: 19/6/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: Ambrósio do Rego Barros. Gols: Lauro, Marcionilo, Tará e Carlos Benning, para o SC, e, Julinho (contra), para o AM. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e João Martins, Julinho, Sebastião e Zezé Fernandes, Walfrido, Marcionilo, Tará, Lauro e Carlos Benning. AM - Pereirão, Palmeira e Barbalho, Lula, Carioca e Casado, Quincas, Eric, Seixas (Dodô), Ralf e Preguinho (Moacir). Obs.: Jogo não encerrado por indisciplina coletiva da equipe do América, comandada pelo arqueiro Pereirão.
Jogo: Santa Cruz 6x1 Fluminense. Data: 31/7/32 (domingo). Local: Av. Malaquias. Juiz: Octávio Morais. Gols: Paulo (2), Estevam, Walfrido, Lauro e Antero. Equipes: SC - Dadá, Sherlock e João Martins, Zé Orlando, Sebastião e Julinho, Walfrido, Marcionilo, Paulo, Lauro e Estevam (Antero). FLU - Gouveia, Zé Ramos e Gesner, Jorge, Batista e Luizinho, Pinto, Varel, Gilberto, Aldo e Gaby.
Jogo: Santa Cruz WxO Israelita. Data: 15/8/32 (2ª feira). Local: Av. Malaquias. Juiz: Manoel Pinto. Obs.: A equipe do Israelita não compareceu a campo, perdendo o jogo por WxO.
Jogo: Santa Cruz 4x3 Great Western. Data: 11/9/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: Bernardo Rosembaum. Gols: Popó (2), Marcionilo e Oscar, para o SC, e, Tino, Zilo e Tutu, para o GW. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e Fernando, Marcionilo, Julinho e João Martins, Walfrido, Edson, Popó, Lauro e Zezé Fernandes (Oscar). GW - Heitor, Bebé e Waldemar, Natalício, L. Costa e Cahé, Cavalcanti, Tinoco, Zilo, Tutu e Alagoano.
Jogo: Santa Cruz 3x1 Flamengo. Data: 25/9/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: João Elysio. Gols: Marcionilo, Carlos Benning e Walfrido, para o SC, e, Péricles, para o FLA. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e Fernando (João Martins), Marcionilo, Sebastião e Zezé Fernandes, Estevam, Walfrido, Limoeiro, Lauro e Carlos Benning. FLA - Fritz, Hermes Bezerra (Joãozinho) e Chico, Mazinho, Hermes e Everaldo, Alonso, Fébidas, Péricles, Pitota (Bernardo) e Pega-Pinto.
Jogo: Santa Cruz 3x1 América. Data: 09/10/32 (domingo). Local: Jaqueira. Juiz: Octávio Morais. Gols: Carlos Benning (2) e Lauro, para o SC, e, Ralph, para o AM. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e João Martins, Marcionilo, Sebastião e Zezé Fernandes, Walfrido, Humberto, Oscar, Lauro e Carlos Benning. AM - Pereirão, Palmeira e Barbalho, Alemão, Casado e Moacir, Quincas, Lúcio, Seixas, Rafael (Ralph) e Aldo.
Jogo: Santa Cruz 8x2 Fluminense. Data: 06/11/32 (domingo). Local: Jaqueira. Gols: Walfrido (4), Tará (2) e Lauro (2), para o SC, e, Amarinho e Gaby, para o FLU. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e Fernando, Marcionilo, Sebastião e Zezé Fernandes, Walfrido, Estevam, Tará, Lauro e Carlos Benning. FLU - não informado.
Jogo: Santa Cruz 4x1 Íris. Data: 15/11/32 (3ª feira). Local: Av. Malaquias. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Estevam (2), Marcionilo e Carlos Benning, para o SC, e, Guerra, para o IR. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e João Martins, Marcionilo, Sebastião e Zezé Fernandes (Julinho), Walfrido, Estevam, Tará, Lauro e Carlos Benning. IR - Silvino, Moacir e Reumatismo, Popó, Batista e Ramalho, Benedito, Guerra, Zeferino, Chinês e Emídio.
Jogo: Santa Cruz 4x1 Íris. Data: 20/11/32 (domingo). Local: Av. Malaquias. Juiz: José Fernandes Filho. Equipes: SC - Diógenes, Sherlock e João Martins, Marcionilo, Sebastião e Zezé Fernandes, Walfrido, Estevam, Tará, Lauro e Carlos Benning (Julinho).IR - Silvino, Walfrido e Moacir, Popó, Zé Lima e Ramalho, Benedito, Guerra, Zeferino, Chinês e Emídio.




